Uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro.

Ricardo Jordão Magalhães

A criança que é permitida desrespeitar os pais, nunca terá respeito verdadeiro por nada nem por ninguém.

A primeira vez que eu vi uma fileira de cocaína foi com 17 anos de idade. Foi em uma big festa. Em um big casarão. Na Vila Mariana em São Paulo.

Naquela noite o meu objetivo era dar uns beijos em uma morena de olhos verdes maravilhosa que eu estava super afim.

Eu fui até aquela festa justamente porque eu sabia que ela estava lá. E eu estava certo.

Quando eu entrei no casarão a primeira pessoa que eu vi foi a morena de olhos verdes.

Ela estava na sala da casa no meio de um grupo de amigos todos ajoelhados de frente para a mesa de centro.

Ela parecia uma espécie de Jesus Cristo versão feminina cercada pelos apóstolos da Santa Ceia do Leonardo da Vinci. Todos ajoelhados e prontos para começar a santa ceia, só que no caso, na mesa de centro não tinha pão e vinho, mas vinte fileiras de cocaína.

A cena que eu vou descrever agora para vocês foi tão marcante na minha vida que eu me lembro como se fosse hoje.

Enquanto eu andava em direção a sala, a morena maravilhosa abaixou a cabeça sobre a mesa, enfiou um canudinho no nariz e cheirou a fileira de cocaína como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Eu me lembro da expressão de êxtase do seu rosto quando ela levantou a cabeça, lentamente abriu os olhos, sorriu para mim e disse:

“Oiiiiii Ricardão, Você veiiio. Vem cááá. Eu quero ficar com você. Mas antes bonitão, cheira uma carreirinha comigo vai, pega aí!”

Eu olhei para os olhos daquela menina maravilhosa. Olhei para os meus amigos que estavam ao seu lado dizendo “Vai lá Ricardão, manda vê!”, e respondi:

“Não, obrigado. Eu vou pegar uma Coca-Cola na cozinha e já volto. Eu quero ficar com você”

Pausa.

O que você faria nessa situação?

A menina que você é apaixonado te oferece uma droga para ficar com você. Os caras mais descolados da escola querem que você se enturme com eles.

O que um garoto metido a revoltado aos seus 17 anos de rebeldia poderia fazer frente a tamanha pressão “social”?

Naquele dia um dos meus três amigos que estavam com a morena de olhos verdes experimentou cocaína pela primeira vez. O cara gostou tanto da brincadeira, que se tornou um viciado na droga. Desde então ele perdeu 20 anos da sua vida brigando contra o vício. Hoje ele é um homem de 40 anos de idade com um cérebro de um moleque de 15.

O meu amigo topou a parada, eu não, por que?

Por que o Faustão disse que cocaína era uma droga?

Por que a Folha de São Paulo disse que eu não deveria entrar nessa?

Por que a internet da época mostrava cenas terríveis de gente drogada?

Por que a escola que eu estudava me disse que drogas era besteira?

Não, nada disso.

Eu não cheirei cocaína naquele noite por causa da educação que eu tive dos meus pais.

Eu não me lembro de nenhuma situação quando eu era criança onde os meus pais sentaram comigo por 30 minutos para falar sobre os perigos da cocaína.

Eu acredito que os meus pais nunca sequer viram na vida deles uma fileira de cocaína para serem capazes de me convencer de alguma coisa.

Os meus pais nunca me falaram sobre como reagir a uma situação onde a garota dos meus sonhos oferecesse cocaína para mim.

Mas eu sabia exatamente o que fazer naquela situação.

Quando eu era criança os meus pais não falavam sobre cocaína, mas me falavam sobre livros.

Quando eu era criança os meus pais nunca falaram sobre maconha, mas tiravam dinheiro não sei de onde para bancar 30 dias de férias com todos os filhos em São Lourenço, Tambaú, Rio Claro, Santos e Guarujá.

Quando eu era criança os meus pais não me falaram sobre os perigos das drogas, mas eles paravam tudo que estavam fazendo uma vez por mês para uma sessão de projeção de slides e super-8 na parede da nossa casa, onde eles contavam histórias fantásticas de quando nós éramos bebês com direito a cachorro quente e pipoca.

Eu sou um cara ultra otimista, prá cima, e com muitas opções na minha vida por causa do amor que eu recebi dos meus pais.

Eu gosto de escrever, de ler, de estudar, de dar aulas, de compartilhar conhecimento, de criar coisas, de inventar novas maneiras de viver por causa das cobranças de melhorias que eu tive dos meus pais.

Eu tenho dinheiro hoje por causa dos investimentos que os meus pais fizeram em mim.

Eu tenho uma família hoje por causa da família que eu tive com os meus pais.

Eu educo os meus filhos hoje como eu fui educado pelos meus pais.

As vezes você ouve alguém dizendo que o cara que teve uma educação rígida, acaba sendo brando com os filhos, ou vice-versa. Ouve-se que a educação que se dá aos filhos é sempre reversa a educação que se teve.

Eu não.

Eu estou educando os meus filhos com a mesma exata educação que eu tive dos meus pais. Sem mudar uma vírgula.

Ao educar como eu fui educado, eu vou bater de frente com todo tipo de porcaria, drogas, consumo e status da sociedade que vivemos. Mas eu vou educar os meus filhos da mesma maneira que fui educado.

Eu tenho certeza que daqui vinte anos os meus filhos saberão o que fazer quando um bacana qualquer quiser fazer a cabeça deles.

E tudo isso por causa dos meus pais, o bonitão José Lauro Magalhães, e a a bonitona Maria Stela Jordão Magalhães. Ou simplesmente, José e Maria, ou Lauro e Stela.

Eu estou escrevendo esse texto hoje porque os meus pais estão vivos. Bem vivos!

Eu estou escrevendo esse texto hoje porque eu quero fazer uma homenagem a eles publicamente, enquanto eles estão vivos.

Eu quero que eles saibam que tiveram, tem e sempre terão um impacto profundo na minha vida, na vida dos meus filhos, e provavelmente na vida dos filhos dos meus filhos.

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!

Eu estou escrevendo esse texto hoje para te incentivar a fazer o mesmo.

Eu quero que você tenha a humildade de ligar para alguém que teve um impacto profundo na sua vida, e diga a essa pessoa o quanto você é agradecido.

Faça essa pessoa saber o quanto ela foi importante para você.

Ainda que as melhores pessoas desse mundo não precisem desse tipo de elogio; os meus pais, as pessoas que tiveram uma influência importante na sua vida, merecem e precisam saber o quanto são importantes para você.

Dê a eles um pouco da sua energia, diga a eles que podem relaxar um pouquinho, que podem cuidar das suas próprias vidas.

Diga a eles que você está formado, que você aprendeu, que a orientação e amor que você recebeu, te blindaram para enfrentar qualquer parada que virá pela frente.

Porque uma estrela brilha, e sempre brilhou, sobre a hora do seu encontro com esses seres humanos iluminados.

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