O mistério do jovem (Um franciscano falando de Dom Bosco)

 Frei Almir Ribeiro Guimarães, ofm

Dom Bosco é um santo moderno. Nasceu em 1815 e morreu em 1888. Seus discípulos, conhecidos como salesianos (sua Congregação tinha como título Sociedade São Francisco de Sales) se dedicam à educação da juventude. Gostaria de fazer uma reflexão sobre o jovem cristão.

• Situamos a juventude entre os 17/18 e os 25/27 anos de vida. Antes estão os adolescentes, depois temos os adultos jovens. Juventude: tempo breve da vida, mas importantíssimo porque nesta época são feitas as grande opções da existência. Compreende-se que a família, a escola, os sacerdotes se preocupem com esse período. Nesta faixa de idade as pessoas costumam terminar os estudos, escolher a profissão, optar pelo casamento ou por outra trilha de existência.

• Espera-se que um adolescente e um jovem possam crescer no seio de uma família unida. Não dá bom resultado um jovem que vive por conta própria, sem o amor compreensivo e enérgico de seus pais. Sua vida ganha força e coerência quando no ardor do despertar de tudo eles podem sentir em seus pais e tios pessoas de bem com a vida e amigas de Deus. É no seio de sua família que o adolescente e o jovem podem ter suas asas fortes para o voo da existência.

• Normal que os jovens na escola, na paróquia, na vida social tenham companheiros e amigos. Normal que em casa, na escola e na paroquia eles possam ter um buquê de convicções para não optar por uma vida fácil e banal. Não é normal que os jovens passem todos os fins de semana em salas escuras, barulhentas, bebendo, perdendo a audição… saindo dessas salas dopados, cansados, exauridos. Há um buquê de convicções: o outro precisa ser respeitado em todos os sentidos; o sentido da vida não é rodopiar em torno do próprio ego; na medida do impossível faremos de nossa vida um serviço para os outros; o sentido da vida é não apenas viver por viver….mas ter uma nobreza e uma qualidade de vida.

• Se o jovem tem vocação para o casamento saberá namorar de maneira bela e responsável. Não fará do tempo de sua adolescência e juventude um borboletear de flor em flor, de ilusão em ilusão, de corpo em corpo, de mentira em mentira.. Pais, professores, grupos da paróquia precisam preparar os jovens para o casamento. As escolas não podem ser espaços de baderna, de “cola”, mas catedrais da formação de rapazes e moças para a vida familiar. Todos temos que nos sentir responsáveis em preparar casais sólidos para o presente e o amanhã do mundo.

• Tarefa bela e desafiadora: formar jovens cristãos. Tarefa difícil. Não basta apenas forçar os jovens a ir à missa, a fazer parte da missa meio barulhenta de domingo à tarde, não basta um verniz de religiosidade. Será preciso que eles se apaixonem por Cristo. Não apenas com guitarras e pandeiros. Não há outra saída: os jovens participarão de grupos, comunidades, onde farão a partilha da vida, escutarão a voz do Senhor, explodirão de alegria no canto e na esperança, sempre sob o olhar discreto de adultos que vivem sua fé como uma ventura existencial.

• Dom Bosco pede que os educadores tenham certas preocupações: “Consideremos como nossos filhos aqueles sobre os quais exercemos certo poder. Ponhamo-nos a seu serviço, assim como Jesus que veio para obedecer e não para dar ordens; envergonhemo-nos de tudo o que nos possa dar aparência de dominadores; se algum domínio exercemos sobre eles é para melhor servirmos”.

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